LABSLETTER #27

SEMANA DE 24 A 31 DE JULHO

No final desta semana, o mundo cripto voltou sua atenção para a decisão da SEC a respeito de uma possível aprovação de um ETF de Bitcoin. A SEC, órgão regulador equivalente à CVM dos EUA, enfatizou que a decisão de rejeitar o pedido dos irmãos Winklevoss não representava um ataque contra o Bitcoin ou a tecnologia Blockchain; a decisão foi tomada devido à falta de sistemas de monitoramento e segurança do mercado como um todo. A fim de justificar sua decisão, o órgão mencionou a falta de um mercado de futuros de bitcoin suficientemente grande para servir de mecanismo de controle de manipulação de preços. Isso porque, num cenário como este, a troca de informações com uma empresa que lançasse um ETF seria facilitada, diminuindo as chances de manipulação do mercado ou de atividades fraudulentas. Hester Peirce, comissária da SEC, manifestou sua dissidência contra a decisão tomada, explicando que achava que o ETF havia de ter sido aprovado. Essa declaração foi recebida com entusiasmo pela comunidade cripto.  

Ainda há, todavia, outro pedido de ETF de bitcoin sendo analisado pela SEC. O pedido conjunto das empresas, VanEck e SolidX ainda está em aberto e será decidido apenas em 4 de março de 2019, segundo Jake Chervisnky, advogado associado na Kobre Kim LLP. A SEC pode fazer até 3 adiamentos na decisão de aprovação de um ETF após os primeiros 45 dias de prazo inicial. Para o advogado, uma vez que a SEC não tem urgência em aprovar um ETF de Bitcoin, o órgão deverá aproveitar todos os adiamentos aos quais tem direito segundo a lei.  

Além dos ETF’s dos irmãos WInklevoss e das empresas VanEck e SolidX, a decisão de aprovação pela SEC em relação ao ETF da Direxion, uma gestora, foi adiada para o dia 21 de setembro. Outros ETF’s de Bitcoin que estão sendo analisados pela SEC são: GraniteShare, com prazo final no dia 15 de setembro de 2018 e a ProShares com prazo final no dia 23 de agosto de 2018.  

Esta semana vimos também a Augur, uma das Dapps (aplicações descentralizadas) que utiliza a rede Ethereum e fornece um mercado de apostas e previsões, assustar alguns entusiastas ao incluir em sua plataforma apostas para o assassinato de certas figuras publicas. Nomes como Donald Trump e Jeff Bezos são alguns dos exemplos. A Augur já manifestou que não existe mais um “kill-switch”, isto é, um mecanismo que possibilita a exclusão autoritária de uma aposta publicada, não podendo interferir diretamente ou assumir responsabilidade pelas apostas, dada a natureza descentralizada da plataforma. A comunidade de usuários e os próprios desenvolvedores da plataforma, todavia, manifestaram repúdio e preocupação diante de tais práticas acusando, inclusive, os responsáveis pelas apostas de estarem criando um novo método de encomenda de assassinatos.  

Finalizamos a semana com a notícia de que a Venezuela estará atrelando o valor do Bolívar, a sua moeda declarada falida, ao valor do Petro , a sua própria criptomoeda, cuja unidade seria supostamente garantida por um barril de petróleo. Segundo o FMI, a inflação na Venezuela alcançará os 1.000.000% até o final de 2018. Já Segundo Karsten e West do Brookings Institute, a situação de crise na Venezuela está levando políticos a recorrerem a medidas drásticas como esta, visando esquivar de sanções impostas contra o país por nações como os EUA. Para alguns, entretanto, tal processo apresenta uma grande ironia: o governo não está aceitando bolívares na venda da Petro, e como é proibido a reserva de moeda estrangeira, venezuelanos não podem comprar a criptomoeda.

Cidadãos chineses utilizam Blockchain para denunciar casos de vacinas inseguras (Fortune) Diante de um escândalo nacional na China a respeito da falsificação de dados e testes clínicos de vacinas, o uso de Blockchain vem se tornando um mecanismo de combate à censura através da postagem de denúncias nesses sistemas imutáveis, tornando-os públicos para a população.

 

A maior Exchange dos EUA não encontra evidências de Insider Trading de Bitcoin Cash por parte de seus funcionários (Engadget) A investigação interna foi aberta em dezembro de 2017 pela Coinbase diante do grande aumento do preço do ativo logo antes do anúncio oficial da adição do mesmo à plataforma, sob suspeita de uso de informação privilegiada. A investigação concluiu que não houve atividade maliciosa, e foi arquivada.  

 

Galaxy Digital de Mike Novogratz estará listada na bolsa de valores de Toronto a partir de Agosto (Bloomberg) Após um processo de mais de 8 meses, o banco comercial que negocia criptoativos do ex-sócio do Goldman Sachs será listado na TSX Venture Exchange de Toronto no Canadá.  

 

Marc Andreessen e Chris Dixon aportam capital em nova gestora de criptoativos  (Forbes) Os renomados investidores somaram aos agora US$20 milhões sob gestão da Scalar, fundada por 2 ex-funcionários da Coinbase, Jordan Clifford e Linda Xie. A gestora, que captou US$8 milhões em janeiro deste ano, adota uma estratégia de longo prazo, mantendo posições em criptomoedas por 3 a 5 anos.

 

IBM e gigante norte-americana de serviços financeiros anunciaram o lançamento de uma app store de blockchain para bancos (Coindesk) A LedgerConnect foi proposta pela empresa de software e pelo CLS Group, e é financiada por grandes bancos como Barclays e Citigroup. O grupo pretende lançar a plataforma que servirá como marketplace para soluções a base de blockchain visando atender à indústria financeira.

Custos de transação e Tethers: por que eu sou um cético de cripto 

(Paul Krugman, The New York Times) O repórter do NY Times disserta, nesse artigo, sobre os motivos pelos quais não acredita na capacidade revolucionária das criptomoedas. Krugman afirma que devido ao alto custo de validar transações e gerar novas moedas, esses criptoativos não apresentam uma evolução do sistema financeiro, como historicamente criações como cheques, cédulas e transferências eletrônicas o fizeram.

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